Alice Prosa e Poesia

Um pouco de mim...

Áudios

O traduzir-se
Data: 14/10/2011
Créditos:
Texto: Alice Gomes

música: Czardas (tradicional húngara)
guitarra: Armando Macedo (o melhor do mundo)
Copyright © 2011. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Com que cores pintar essa tela, se há nela todas as cores e, todas elas, intensas e sobrepostas? Que borrão é este, que encobre paisagens e cubos, e esferas? 
 
Como traduzir este ser que há e que nem a mim se revela?
 
Sem antenas, setas, trilhos, retas. E nada se completa.
 
Tudo, de início em início, se entrelaça a outros inícios de coisa alguma.
 
E tudo esfalfa, tudo sangra, tudo arde.
 E tudo foge, tudo escapa, para de novo um novo ser se pintar.
Este ser de movediças areias, de patagônicas geleiras a se derreterem.
Com que cores pintar instantes? Qual a cor da vertigem?
 
Que ser é este, múltiplo, ávido, desgovernado? Que olha por meus olhos e não me lega lembrança sólida de seqüência nenhuma? 
 
Este ser que não me ensina a diferença entre estar feliz ou infeliz, que não me dá tempo de sentir nada por inteiro. Que tudo já foi e não vi. E nada me deixa.
 
Que ser é este que em mim rodopia, e se contorce em misteriosas danças? E vai ao alto e despenca vôos alucinados. E sorri, nem sei de quê, e se inebria. E fecha minhas pálpebras e aspira partículas inspiradas de sons dispersos no ar que é só dele. Que vivencia serenidades e no instante seguinte me encharca de angústias.
 
Que ser é este que em mim habita mas não me pertence?

Com que cores pintar essa tela, se há nela todas as cores, e nenhuma permanece mais que um segundo?





Talvez Armando o saiba
com suas Czardas 






Enviado por Alice Gomes em 14/10/2011

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