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Por que o placar nas duas votações não foi o mesmo

Pra você, que caiu de paraquedas recentemente na política brasileira e tenta entender algumas coisas, observe o que virá daqui pra frente, para que nas próximas eleições não continue pegando carona em opiniões alheias:

Dilma foi afastada mas não perdeu a inexigibilidade. Sabe o que isto significa, mesmo que nenhum senador o admita publicamente? Que. no mesmo dia da troca de presidente no poder Executivo, já há um racha na base do novo governo, dentro do Legislativo. E este racha se deu entre as forças do Pmdb (Temer, presidente da República) e as forças do Psdb/DEM (Rodrigo Maia, presidente da câmara, o equivalente a vice-presidente) como ficou claro nos encaminhamentos dos dois partidos na segunda votação. A diferença de votos nas duas votações não teve nada a ver com a Dilma. Esqueça a Dilma. Foi apenas uma manobra para que um dos lados não tenha o outro nas mãos. Hoje, os dois estão unidos pelos mesmos interesses, mas, a partir de amanhã é cada um por si. Um fará oposição ao outro, mesmo que veladamente, e precisará do apoio dos partidos que hoje são malditos pelos dois, para obter a maioria no Congresso e principalmente nas eleições definitivas de 2018. De modo que, a partir de amanhã e até o final do mandato, qualquer oposição a Temer no Congresso, na midia ou nas redes sociais, favorecerá diretamente a coligação do seu novo vice, ou seja, estará preparando o terreno para Psdb/Dem. Preste atenção nos futuros "Fora, Temer", eles te trarão um bom exercício de observação.
Preste atenção nas votações dentro da Câmara e do Senado, quem vota contra ou a favor, a qual partido pertence e qual será o discurso (ignore as votações polêmicas que não interferirão no seu bolso, preste atenção nas de cunho econômico e financeiro, pois estas é que determinarão o poder que terão as futuras forças políticas) Esqueça todos os outros partidos, eles irão para o lado que pressentirem estar mais forte. Assim como essas duas forças também irão para o lado daqueles que julgarem mais elegíveis. Lideranças podem surgir a qualquer momento e em qualquer partido, mas nunca, jamais, uma terceira força política. Em toda a história da humanidade sempre existiram apenas duas. Uma terceira é pura ilusão para o eleitor pensar que tem opção. Não é por acaso que uma eleição tem dois turnos.
Preste atenção nos noticiários, como a midia se comportará nos próximos meses até 2018 em relação ao governo de Temer. Você saberá muito em breve de qual lado ela estará.
Preste atenção nas grandes páginas das redes sociais, quem elas trarão como alternativa "de centro" para os eleitores que não quiserem os já estigmatizados como fundamentalistas, seja da "direita" ou da "esquerda", pois certamente o mais "moderado" será o próximo presidente da república, visto que a maioria do eleitorado tende a fugir dos radicais. A estratégia é justamente empurrar os mais radicais para um lado e deixar o caminho do centro livre.
Preste atenção à movimentação de forças no resto do mundo, quais os políticos brasileiros que os governantes dos grandes países vão bajular mais. Eles dão várias pistas, você que nunca reparou.
Aprenda a perceber como surgem inflações e desempregos, ou as suas recuperações. Só na cabeça de ingênuos é que os consumidores são os responsáveis pela elevação de preços e os empregados os responsáveis pelas suas próprias demissões. Inflação e desemprego já foram fartamente utilizados na briga dessas duas forças políticas, e continuará sendo, porque é a mais potente arma de mobilização das massas. E isso em qualquer lugar do mundo, mais ainda em países cuja população ainda não se deu conta, como é o caso dos brasileiros.

Nunca é tarde para aprender a observar. Mesmo que seja pra rir ou pra chorar no futuro, mas pelo menos você saberá porque estará rindo ou chorando. E, se te serve de consolo, pelo menos você saberá antes que os outros.
Alice Gomes
Enviado por Alice Gomes em 01/09/2016
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